Os pesquisadores

Johan Baptist von Spix, Zoólogo e pesquisador do Brasil nasceu no dia 9 de fevereiro de 1781 em Höchstad an der Aisch, filho do cirurgião e Senador Laurentius Spix. A morte prematura de seu pai deixou sua família em dificuldades e, com a ajuda de um tio ele chegou à escola da catedral de Bamberg aos 11 anos de idade. Após o ginásio estudou filosofia, concluiu o doutorado em 1801 e no mesmo ano começou os estudos em Teologia na cidade de Würzburg. Em 1803, sob influencia de Schelling, interrompeu os estudos em teologia e passou para medicina e ciências naturais. Em 1806 concluía o doutorado em medicina enquanto o príncipe herdeiro da Bavária era proclamado Rei Maximilian I. Joseph. Schelling foi chamado para assumir o cargo de secretário geral da Real Academia de Ciências da Bavária em Munique e levou consigo seu aluno Spix. Já em Munique, Spix ganha uma bolsa de estudos do governo real da Bavária para dar continuidade em seus estudos em diferentes cidades européias como Paris, Lê Havre, Dieppe, Marseille, Nizza e Nápoles. De volta a Munique em 1810, Spix é aceito como Adjunto na classe de matemática e ciências naturais na academia de ciências da Bavária e ao mesmo tempo fora confiado a ele a ordenação da Naturalienkabinett[1]. Em 1811 ele foi nomeado como Curador da “Coleção zoológica e anatômica” da academia e desligado do Naturalienkabinett. Em 1812, Spix visita, por ordem da academia de Erlangen, a coleção de Schreber que foi aluno de Lineu[2], para levá-la para Munique. Nesta ocasião Spix conhece Martius que fora aluno de Schreber, surgindo daí uma grande amizade. Spix faleceu em Munique no dia 13 de março de 1826 devido a complicações de saúde causada por doenças contraídas no decorrer da expedição[3].

  Carl Friedrich Philipp von Martius nasceu no dia 17 de Abril de 1794 em Erlangen, filho do farmacêutico e professor honorário de Farmácia Ernst Wilhelm Martius. Em Erlangen ele freqüentou a escola e aos 16 anos começou os estudos em medicina formando-se doutor em 1814 aos 20 anos de idade. No mesmo ano expôs-se a Elevenprüfung[4] por iniciativa de Spix e Schrank e através desta já foi aceito na Academia de Munique em 1816 como Adjunto. Martius ficou responsável pela construção do novo Jardim Botânico de Munique. Para isto ele se qualificou com um trabalho de doutorado sobre plantas no Jardim Botânico de Erlangen. O rei Maximiliam I. Joseph se deixava guiar no Jardim Botânico pelo jovem Martius favorecendo assim a sua carreira[5]. Durante a Expedição, Martius transcreveu em partitura 14 canções indígenas, oito modinhas e um lundu, sendo este último o primeiro lundu de que se tem notícia. Além das músicas transcritas, ele também descreveu os contextos em que essa música era tocada de forma muito clara e detalhada. Ele deu continuidade a catalogação de tudo que foi levado do Brasil para Alemanha após a expedição. Martius faleceu em Munique a 13 de dezembro de 1868.

[1] Definição utilizada no séc XVIII para uma coleção de objetos do reino natural.

[2]  Botanico, Zoólogo e médico sueco nasceu em 1707 em Rashult e morreu em 1778 em Uppsala. Foi criador da “nomenclatura binomial” e da classificação científica, considerado o pai da taxonomia moderna.

[3] HELBIG, Jörg. Et al. Brasilianische Reise 1817-1820: Carl Friedrich Philipp von Martius zum 200. Geburtstag. 28 p.

[4] Elevenprüfung é uma avaliação final de curso. 

[5] HELBIG, Jörg. Et al. Brasilianische Reise 1817-1820: Carl Friedrich Philipp von Martius zum 200. Geburtstag. 29 p.